Palavras africanas no Português do Brasil

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Você sabia que há muitas palavras africanas no Português que falamos no Brasil? Elas estão presentes nos diferentes espaços da cultura brasileira. Mas como isso será que isso aconteceu? Que palavras são essas? Você vai se surpreender!

DICAS PARA NATIVOS OU ESTUDANTES DE PORTUGUÊS, COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA NÍVEL: B1-C2

Tipps für Muttersprachler oder für jeden, der Portugiesisch als Fremdsprache lernt.

Estima-se que, entre os séculos XV e meados do XVIII, foram trazidos dezoito milhões africanos para o Brasil. Chamamos esta época de Período Colonial. Nele, seres humanos foram escravizados, torturados, desrespeitados de todas as formas ou mortos. A ganância da coroa portuguesa e de seus colonos não tinha limites. Leia mais sobre os Navios Negreiros aqui!

Em 1888, a princesa Isabel, enquanto substituia o pai que viajava pela Europa, assinou a Lei Áurea, abolindo assim, pelo menos oficialmente, a escravidão no Brasil. Em 15 de novembro de 1889, houve um Golpe Militar e a República foi proclamada e o Imperador Dom Pedro_II teve que ir para o exílio com sua família.

A população negra, liberta, não tinha direitos, nem políticos e muito menos à Educação. Era discriminação total. Racismo puro.

O Brasil de hoje é o país com mais descendentes africanos fora da África – 54% da população é afro-descendente, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2016). Uma população que ainda luta por direitos iguais. Novas leis criminalizam o racismo, porém ainda há muito a fazer em relação aos Direitos Humanos para todos os brasileiros, independente da raça, cor ou religião.

A herança cultural e linguística vinda dos povos africanos enriquece a língua portuguesa e fazem parte do cotidiano de todos os brasileiros. Veja alguma delas abaixo:

Abadá: originário da línga iorubá e utilizada para se referir às batas/túnicas brancas vestidas em rituais religiosos. Hoje em dia, a palavra é conhecida por se referir à camiseta de carnaval recebida na compra do ingresso para blocos de rua na Bahia.

Amas de leite: escrava que amamentava os filhos de seus senhores

Acarajé: do iorubá akarà-jẹakara (bolo de feijão) + ije (comida). É prato africano e afro-brasileiro delicioso, um bolinho feito com massa de  feijão-fradinho, cebola e sal, frito em azeite de dendê. Originalmente, é uma comida usada em ritual da orixá Iansã. Na África é chamado de àkàrà, que significa „bola de fogo“.

Axé: do iorubá àse, significa energia vital de cada ser. Na religião: Força, energia sagrada de cada orixá. Axé! Assim deseja-se felicidade a quem se cumprimenta ou se despede.A expressão muito usada na Bahia.

Babá: escrava que cuidadava dos filhos de seus donos. Hoje, profissão de mulheres negras ou brancas que cuidam das crianças de seus padrões.

Batuque: um tipo de tambor ou o nome dado à música. Pode ser também qualquer dança de origem africana, acompanhada de percussões, como o Samba.

Berimbau: do quimbundo mbirimbau, instrumento musical afro-brasileiro usado para dar a „ginga“ quando se joga capoeira.

Bobó: do jeje bobó, uma especialidade da culinária africana e afro-brasileira. É feita com feijão-mulatinho e azeite de dendê, servido com inhame ou aipim.

Borocoxô: do quicongo bolokotó. Diz-se quando uma pessoa está sem energia, sem ânimo ou triste.

Bugiganga: qualquer objeto de pouco ou de nenhum valor ou utilidade. É uma quinquilharia, bagatela.

Bunda: do quimbundo mbunda. Diz-se de uma língua falada por certas populações de Angola. No Brasil, usa-se para designar a zona das Nádegas.

Búzio: pode significar concha marinha, buzina, trompeta ou até mergulhador.

Cachaça: palavra tem origem na língua quicongo, do grupo banto (atualmente Congo, Angola e Moçambique). É uma bebida alcoólica feita de cana-de-açúcar, também chamada de água ardente ou pinga. Ela é usada no preparo do coquetel brasileiro mundialmente conhecido: a caipirinha.

Cachimbo: deriva do termo kixima de uma das línguas bantas mais faladas em Angola: o quimbundo. É um instrumento usado para fumar, normalmente, tabaco.

Caçula: Do quimbundo kazuli, que significa o último da família ou o mais novo.

Cafuné: acariciar/coçar a cabeça de alguém

Camundongo: do quimbundo kamundongo. É um rato pequeno, um ratinho.

Candomblé: a união do termo quimbundo candombe, que significa “dança com atabaques”, com o termo iorubá ilé ou ilê (casa): “casa de dança com atabaques”. É a religião de matriz africana mais praticada no Brasil. Por ter sido proibição no passado, aconteceu um sincretismo – a junção dos cultos do candomblé com o catolicismo. Até hoje, alguns católicos e praticantes do candomblé celebram juntos a lavagem de Senhor do Bonfim (no candomblé Águas de Oxalá) , Santa Bárbara (no candomblé Iansã), Nossa Senhora dos Navegantes (no candomblé Iemanjá).

Capanga: deriva do quimbundo “kappanga”, língua africana falada em Angola, e refere-se a uma pequena bolsa que se usa a tiracolo ou, por analogia, também um homem contratado como guarda-costas, que anda geralmente armado.

Capoeira: uma mistura de dança com arte-marcial criada no século XVII pelo povo escravizado da etnia banto e que se fundiu por todo o Brasil. O ritmo dos movimentos é dado através do som de instumentos musicais africano-brasileiros, cantos e palmas.

Carimbo: tem origem no quimbundo “kirimbu” ou “karimbu” e refere-se a um instrumento de metal, madeira ou borracha, que serve para marcar, geralmente, papéis de uso oficial ou particular (selo) e designa, também, a marca deixada por este mesmo instrumento.

Cochilar: do quimbundo koxila. Significa dormir por um curto tempo e de forma leve.

Cuíca: um instrumento, chamado em Angola de pwita, é semelhante a um tambor e contém uma haste de madeira interna e fixa. O som é produzido ao esfregar a haste com um pano úmido. Seu uso foi muito difundido na música popular brasileira e, por volta de 1930, passou a fazer parte das baterias das escolas de samba.

Dengo: palavra de origem banta (atualmente Congo, Angola e Moçambique) e língua quicongo tem um sentido mais profundo e ancestral: dengo é um pedido de aconchego no outro em meio ao duro cotidiano. Significa “manha”, “meiguice”, “lamentação infantil”.

Dendê: Do quimbundo ndende, óleo de palma, é popular nas culinárias africana e brasileira. O dendê é produzido a partir do fruto do dendezeiro (um tipo de palmeira originária do oeste da África) e é indispensável na cozinha afro-brasileira. Ele é utilizado em pratos como o vatapá, o acarajé e o caruru.

Escangalhar: significa desordem, confusão, destruição.

Farofa: do quimbundo “falofa”, é a farinha de mandioca ou farinha de milho escaldada ou torrada. Normalmente, ela é misturada com gordura ou na manteiga, e inúmeros ingredientes, tais como bacon, ovos, carne, legumes, por exemplo.

Fofoca: segundo a Faculdade de Letras de Lubumbashi, no Zaire, significa mexerico, bisbilhotice, dito maldoso, e tem origem banta, radicado no quimbundo “fuka”.

Fubá: da língua banta quimbundo Fuba, é uma farinha feita com milho ou arroz. Feijão e angu – creme feito apenas com fubá e água – eram a base da alimentação dos africanos e afro-brasileiros. Hoje, vários pratos e quitutes são preparados com o ingrediente, sendo o bolo de fubá o mais querido entre os brasileiros.

Foleiro: significa algo sem valor, de má qualidade ou mau gosto.

: de ginga, representa o balanço do corpo comum na Capoeira. Pode ser também designar coisa malfeita, que ameaça ruir.

Lambada: significa bater, castigar, ferir, atingir com golpe ou pancada. Designa o golpe dado com o chicote, tabica ou rebenque. Pode significar, também, o copo ou gole de uma bebida alcoólica. Lambada, representa uma dança de salão de origem amazônica.

Lengalenga: de origem angolana, do quimbundo “kulenga”, que significa correr, algo feito à pressa. Em Portugal e no Brasil, lengalenga é normalmente associado a uma conversa, fala ou narração extensa e enfadonha.

Manha: do crioulo cabo-verdiano manha, significa astúcia ou gula. Manha é a arte de conseguir o que deseja sem trabalho, com astúcia, destreza dolosa. Quando uma criança faz“manha“, significa que ela usa de alguma artimanha/ astúcia para conseguir o que se deseja.

Marimbondo: do quimbundo marimbondoma- (prefixo plural) + rimbondo (vespa). Designação dada a vários insetos himenópteros não reconhecidos como abelhas ou formigas, cujas fêmeas são munidas de um ferrão.

Missanga: do quimbundo “misanga”, plural de “musanga”, conta de vidro pequena e redonda, de louça ou massa de vidro, normalmente utilizada em bijutaria ou roupa. 

Moleque: Do quimbundo mu’leke, que significa “filho pequeno” ou “garoto”, era um modo de se chamar os seus filhos de mu’lekes. Antes da abolição da escravidão, por exemplo, designava o filho de um negro. Chamar um menino branco de “moleque” era uma grande ofensa. Atualmente, a palavra é atribuída a crianças traquinas e desobedientes, assim como para qualificar a personalidade de uma pessoa brincalhona ou que não merece confiança.

Mucamas: “escravas de estimação”. Costumavam acompanhar as senhoras (sinhás-donas) ou suas filhas (sinhás-moças) em passeios pelo campo ou cidade, além de desempenhar outras funções caseiras.

Muvuca: Mvúka, de origem banta e língua quicongo, significa aglomeração ruidosa de pessoas como forma de lazer, celebração.

Quiabo: do quimbundo kingombo. é o fruto do quiabeiro (Abelmoschus esculentus). Mesmo que muitas pessoas o considerem como um legume, o quiabo é uma fruta.

Quilombo: do quibunda kilombo. É um acampamento no mato em Angola. No Brasil, o lugar para onde os escravos fugiam, um esconderijo.

Quitanda: Do termo quimbundo kitanda, trata-se de um pequeno estabelecimento onde se vende produtos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos, etc.

Quitute/ quitutes: do quicongo kilute. Trata-se de iguarias, guloseimas, meiguices, petiscos, pitéus.

Samba: do quimbundo “semba”. É o nome dado ao famoso ritmo de dança afro-brasileiro.

Tanga: do quimbundo ntanga, um pano que cobre desde o ventre até as coxas. No Brasil, é uma roupa íntima, normalmente feminina pequena que dá destaque ao bumbum. Pode ser um traje de banho também parecido com um biquini.

Zumbi: do quimbundo nzumbi. É um morto-vivo, uma pessoa que morreu e ressucitou, é apenas um corpo sem alma. No Brasil, conhecemos o herói da resistência negra: o Zumbi dos Palmares. Ele foi um escravo brasileiro, que nasceu na cidade de Palmares, em Alagoas. Com a ajuda de um missionário, fugiu para a Europa, retornando ao Brasil tempos depois para lutar pela liberdade de sua gente. Zumbi tornou-se uma lenda no Nordeste, mas acabou sendo morto pelos portugueses, que cortaram sua cabeça e colocaram como exposição em uma praça pública, demonstrando que Zumbi não era um ser imortal.

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