A Mandioca na Cultura Brasileira – Origens, Lendas & deliciosas Receitas (Der Maniok in der brasilianischen Kultur: Herkunft, Legende & leckere Kochrezepte)

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Por: M. Fábia P. V. Willems

 

A mandioca é a base para muitos pratos típicos brasileiros. Ela não é só alimento, tem também um valor social. Saber mais sobre a mandioca é conhecer melhor a cultura do Brasil. Descubra agora:

  • o significado da palavra „mandioca“,
  • sua origem,
  • os mitos e lendas que a cercam,
  • seu valor cultural e social,
  • detalhes sobre seu plantio, colheita e fabricação de farinhas e
  • aprenda a preparar deliciosas receitas salgadas e doces à base desta raiz tão nutritica e saborosa.

Assista aos vídeos selecionados e consulte também os sites indicados. Uma leitura super interessante!

Quando viajar pelas regiões do Brasil, não deixe de provar os pratos à base de mandioca. Descubra novos sabores com a gente!

Boa viagem!

A Mandioca na Cultura Brasileira – Origens, Lendas & Receitas

(Die Maniokwurzel in der brasilianischen Kultur – Herkunft, Legenden & Kochrezept)

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O que significa “mandioca” (Was bedeutet „Maniok“)?

 

  Mandioca:

Etmologia: tupi mandi’oka ‘mandioca, raiz da planta chamada mandi’ïwa, no tupi’; a fonte do lat.cien. Manihot é o fr. manihot (1558), depois (1578) maniot e (1614) manioc, emprt. ao port. ou esp. mandioca ou ao tupi-guarani mandióg; grafias doc. no port., a partir de 1549: mandioqua, mãdioca, mãdioqua, mamdioqua, mandióca, mandiocha, mandiòca, mandioca etc.; ver mandioc-Oca: tupi ‘oka ‘casa’; f.hist. c1584 óca, 1585 oca         (Dicionário Eletrônico Houaiss)

 

Mandioca, Aipim ou Macaxeira, de nome científico Mahihot esculenta, é um arbusto.

No Brasil, possui muitos sinônimos, usados em diferentes regiões,tais como cadinga, castelinha, macamba, maniva, manivera, moogo, mucamba, pão-da-américa, pau-farinha, uaipi, xagata.

As espécies podem ser divididas em dois grupos: espécies mansas e espécies bravas, obedecendo a um critério de toxicidade.

A mandioca é literalmente o pão do índio. Ela é um dos principais elementos da culinária brasileira.

 

Qual é a origem da Mandioca? (Woher kommt der Maniok?)

A mandioca teria tido sua origem no oeste do Brasil (Sudeste da Amazônia) e servia como alimento até a Mesoamérica (Guatemala, México).

Foi cultivada por várias nações indígenas da América latina que consumiam suas raízes, tendo sido exportado para outros pontos do planeta durante o período colonial, principalmente para a África, transformando-se na base de sua dieta alimentar. Também os asiáticos se tornaram fãs da nossa mandioca, transformando-se em um dos países que mais exportam essa raiz.

Na época do Descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha já escrevia em suas cartas ao Rei de Portugal que os índios comiam um “inhame”, uma novidade que os portugueses rejeitavam. Claro que isso não durou muito tempo e logo os colonizadores começaram a adaptar as receitas portuguesa com o que existia no Brasil. 

Atualmente, o hábito de cultivo e consumo da raiz da mandioca continua e ela segue sendo a base de diversos pratos típicos brasileiros.

 

 

Mitos & Lendas do Brasil: A mandioca na cultura indígena (Mythen und legenden aus Brasilien: Der Maniok in der indianischen Kulturvölkern)

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Índios em frente sua Oca, Mani e seus pais, descascando mandioca juntos

 

Os povos indígenas brasileiros contam e recontam a lenda que deu origem a um alimento fundamental na cadeia alimentícia deles: a mandioca. A história é dramática, mas pode ser entendida como renascer.

Há várias versões desta lenda. Veja as que selecionamos, clicando no nosso Artigo „A Lenda da Mandioca (Die Legende des Manioks)„!

 

Qual é o valor cultural e social da Mandioca?

Na cultura indígena, toda a comunidade participa do processo de plantio da mandioca e fabricação de farinhas, pois o alimento de cada um depende do esforço de todos.

Hoje ainda há casas de farinhas artesanais onde populações de baixa renda formam as chamadas Cooperativas. Trabalham juntos, vendem o produto e dividem os lucros. Com o dinheiro podem comprar outros alimentos e financiar os estudos de seus filhos.

As crianças aprendem, deste pequenas, a trabalhar em grupos, superando as dificuldades com a solidariedade. O vídeo selecionado no próximo tópico, ilustrará melhor esta temática.

 

Como é o cultivo da mandioca, a produção das farinhas e seu uso na culinária? 

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Fotos: 1. Arrancando a mandioca  2. Pés de mandioca   3. A folha da mandioca  4. Raiz da mandioca

 

O cultivo da mandioca requer alguns cuidados?

A terra tem que ser fofa para facilitar a retirada da raiz depois. A mandioca  é lavada, descascada, ralada, desidratada e seca ou torrada. 

Existem pelo menos dois grupos  de variedades de mandioca:

  • a de mesa ou mansa (aipim ou macaxeira) e
  • a mandioca brava ou industrial (amargosa).

A mansa é colhida precocemente, é menos fibrosa e mais fácil de cozar. Difere, portanto, das industriais, que são colhidas tardiamente e transformadas nos mais variados produtos.

Mais detalhes sobre a mandioca, você pode ver no vídeo abaixo:

Zé Maria, da Comunidade Tapuio, Lençóis Maranhenses, mostra como é
todo o processo da fabricação de farinha artesanal de mandioca.

 

Como vimos, tudo da mandioca se aproveita, da raiz às folhas.

Vamos conhecer agora algumas receitas incríveis!

 

O que fazer com as folhas? (Was macht man mit den Blättern)

As folhas da mandioca (chamadas também de maniva) são usadas para fazer a Maniçoba, base para vários pratos típicos da região norte do Brasil.

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A Maniçoba – Culinária regional do norte do Brasil (Maniçoba: Gericht aus dem Norden Brasiliens)

 

Para preparar a maniçoba as folhas da mandioca devem ser trituradas ou cortadas bem fininhas. Depois, devem ser cozidas por longo tempo (7 dias!!!) para tirar o veneno das folhas e para que elas percam o gosto amargo. Pode ser servida também com carne suína e/ou bovina, como se fosse um tipo de feijoada sem feijão.

Assista ao vídeo com uma receita interessantíssima:

Culinária Regional: Receita de Maniçoba (Maniçobas Rezept – Auf Portugiesisch!)

 

O que fazer com a Raiz? (Was macht man mit der Wurzel?)

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Da raiz da mandioca em si, tira-se o tucupi, a goma e faz-se a farinha.


a) o  tucupi
 (Der Manioksaft)

O tucupi nada mais é do que o suco da mandioca brava bem cozido. Com ele se pode fazer receitas deliciosas.

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Primeiramente a mandioca crua é descascada e ralada. Em seguida, essa “massa” é espremida por horas. Os índios utilizam para tal o tipiti (um tipo de prensa de palha desenvolvida pelos índios), mas é possível usar um pano e espremer a mandioca ralada com muita força. O”suco” (ou “caldo”) extraído da mandioca deve descansar numa vasilha por horas ou dias até (leia abaixo sobre a produção do polvilho) para que um pó fino fique no fundo da vasilha. Por último, separa-se o suco do pó molhado. O suco é filtrato e cozido por horas para ninguém seja envenenado. Depois é só preparar deliciosas receitas. Veja duas das mais conhecidas:

 

b) a goma – o polvilho – o amido (Die Maniokstärke)

A fabricação da goma de mandioca é incrível. Primeiro ela é ralada. Depois, espremida. Em seguida, fica num pote ou vidro com água para o amido descer para o fundo da vasilha. Por último, joga-se a água fora e o pozinho precisa ser seco.

Assista aos vídeos abaixo e entenda melhor como funciona o processamento para obter a goma (Povilho azedo ou doce, fécula, farinha e raspa):

A fabricação do polvilho (die Herstellung desTapioca-Mehls – Auf Portugiesisch)

 

c) a farinha de mandioca (Der Maniokmehl)

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Há vários tipos de farinhas: o amido, a farinha fina, a farinha grossa, a farinha torrada etc. Cada comunidade ou estado se especiliza na fabricação de sua „farinha especial“. O jeito é experimentar várias e encontrar a mais saborosa.

 

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Advertência! (Vorsicht!)

A raiz e as folhas da mandioca, pode conter uma substância tóxica ao   ser humano, um composto cianogênico. Só é possível distinguir as espécies venenosas em laboratórios. No entanto deixar a raiz da mandioca descascada em água por uma hora ou duas e, depois cozinhar por mais uma hora em água fervendo, torna-a boa ao consumo, assim o longo cozimento das folhas.


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Receitas à base de Mandioca (Kochrezepte mit Maniok)

Agora chegou o momento mais esperado: as receitas. Mas antes de começar a cozinhar, aprenda um método incrível do interior para descascá-la:

Aprenda a descascar a mandioca

 

Receita de Pato no Tucupi  (Ente im „Maioksaft“)

Receita da Culinária Paranaense: Receita de Pato no Tucupi (Rezept aus Pará: Ente à la Tucupi – Auf Portugiesisch!)

 

Receita de Tacacá: um caldo de origem indígena 

Receita da Culinária Paraense (Rezept aus Pará – Auf Portugiesisch): Tacacá

 

Pato no tucupi com manteiga e carne Mandioca cozida

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Buttermaniok mit Ente und Tucupi-Soße

 

Mandioca frita

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Frittierter Maniok – Farofa (eine brasilianische Beilage, die aus Maniokmehl hergestellt wird)

 

Mandioca frita – O segredo da mandioca sequinha e crocante

Knusprige frittierte Maniok – Auf Portugiesisch!

 

Pãozinho de queijo – Tapioca/Beiju/Biju (o pão do índio)

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Brasilianische Käsebrötchen – Indianisches Brot aus Tapiokastärke

 

Receita de Pão de Queijo Original Mineiro (Reportagem)

Pão de queijo (Brasilianische Käsebrötchen – Auf Portugiesisch!)

Hier finden Sie das Rezept mit einem Video auf Deutsch!

Para ver outras receitas de Pão de Queijo, clique aqui!

 

Receita da tapioca

Reportagem – Dia da Tapioca em São Paulo– O trabalho dos Tapioqueiros

Tapioca-Rezept – Der Beruf: Tapioqueira(o) – Auf Portugiesisch!

 

Reportagem – Tapioca em Messejânia, no Ceará – 80 maneiras diferentes de fazer

80 verschiedene Arten von Tapioca – Auf Portugiesisch!

 

Pão integral de mandioca da Fábia

Para ler a receita do Pçao de Mandioca dos Willems, clique no link abaixo:

https://linguacultura.wordpress.com/2012/08/24/po-integral-de-mandioca-dos-willems/

 

Bolo de mandioca com coco – Bolo de mandioca com queijo

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Maniok-Kokoskuchen – Maniok-Käsekuchen

 

Pudim de mandioca (ou tapioca)

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Maniok-Milchpudding

 

Aprenda a fazer mais algumas das deliciosas receitas brasileiras, assistindo aos vídeos selecionados abaixo.

(Lernen Sie ein paar leckere brasilianische Rezepte kochen indem Sie sich diese Videos anschauen)

 

 

Pudim de mandioca

Maniok-Pudding

 

Bolo de mandioca

Maniok-Kuchen selber machen – Auf Portugiesisch!

 

Rosca de mandioca (Receita do livro “Mani-oca”)

Rezept von Maniok-Kuchen – Auf Portugiesisch!

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Workshop: Kulianrische Reise durch die fünf Regionen Brasiliens (Culinária Brasileira)

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Dica de leitura (Lesetipps)

  1. Sociedade Brasileira (Brasiliansische Gesellschaft): Índios em foco (Clique aqui)
  2. Livros de Receitas:
  • “Cozinha regional brasileira” (20 Volumes- Editora Abril)
  • “Brasilien. Küche, Land und Menschen”, Monika Graff/Tania Tavares (ISBN-13: 978-3775002851)
  • “Brasilianisch kochen. Gerichte und ihre Geschichte”, Moema Parente Augel (ISBN-13: 978-3895332135)
  • “Brasilianisch feiern: Festa Brasileira” (ISBN-13: 978-3775004411)
  • “Brasilianische Rezepte. Was unsere Mütter empfehlen!” (ISBN-13: 978-3897980969)
  • „Mani-oca – Delícias do Brasil”, Iracema Sampaio (220 receitas à base de mandioca)
  • “Cozinha Brasileira – Com recheio de histórias”, Ivan Alves Filho (ISBN: 8571062064)

 

 

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Brasil – Índios em foco (Indianer in Brasilien)

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 Índios em foco (Indianer im Fokus)

indios brasileiros

Índios Brasileiros:

assurini[desambiguação necessária], tapirapé, kaiapó, tapirapé, rikbaktsa e bororó

O que você sabe sobre os índios das Américas e suas etnias? E sobre os índios do Brasil?
Quem são eles? De onde vieram e onde vivem hoje? Todos os índios são parentes?
Embora muitos brasileiros tenham algum ancestral indígena, poucos sabem como eles viviam, quem eram e que costumes tinham.
Algumas tribos sobreviveram aos massacres e vivem, em reservados ou próximos à cidades em extrema pobreza. Infelizmente, poucos vivem isolados nas florestas, protegidos da cobiça, humilhação e doenças. Mas você sabia que, nos Estados Unidos há índios milionários? 
Entenda hoje um pouco mais sobre os nativos das Américas, especialmente os do Brasil. 
Boa leitura!

História dos índios

Os primeiros moradores das Américas e suas Etnias

Estima-se que a população indígena da América Latina é de cerca de 50 milhões, dos quais 24 milhões vivem na Bolívia, Equador, Guatemala, México e Peru. Eles estão também na América do Norte, no Canadá e nos Estados Unidos. Os inuits ou esquimós vivem no círculo polar ártico. A tribo Seminole, dos Estados Unidos, foi a que mais prosperou financeiramente. Como? Investindo em cassinos na região de Kissimmee. Esses índios são proprietários de empreendimentos milionários, na parte setentrional da Flórida. Não há laços genéticos entre esses povos. Cada um tem sua própria identidade e heranças de DNA diferentes.
Entre as principais comunidades indígenas que habitam a América, estão a maia, a quíchua, a mapuche, a aimara e a guarani. A civilização maia cobre um território de meio milhão de quilômetros quadrados que se estende por Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras e vários estados mexicanos do sul.
Os índios do Brasil
Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estimava-se que havia cerca de 6 milhões de índios. Havia em torno de 1.300 línguas indígenas. Atualmente há cerca de 280.000 índios no Brasil. Contando os que vivem em centros urbanos, ultrapassam os 300.000. No total, quase 12% do território nacional, pertence aos índios. Das línguas faladas existem apenas 170. O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes têm menos de 200 pessoas. Triste realidade.

Na época do Descobrimento, os povos indígenas se dividiam em quatro grupos lingüísticos e culturais: os Jês, os Tupis, Aruaque e Caraíbas. Os Tupis ocuparam o litoral e expulsaram para o interior os outros grupos.

A cultura Tupi era muito difundida pelo Brasil e sua língua, a mais falada no tempo de colônia. Até o século 17, o tupi era falado por todo o território nacional, até que foi proibido pelo Marquês de Pombal. Era a língua dos bandeirantes, de Tibiriçá, do cacique Araribóia. Atualmente, os povos de língua Tupi ainda se concentram no litoral brasileiro. Mas, existem Tupis na Amazônia, como os Araweté, no Pará. Os Jês incluem a maioria das sociedades indígenas do cerrado, mas não todas. Também abrangem os timbiras e os caiapós, do norte do país. E são considerados povos aguerridos. Já os Guaranis, habitam os estados do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul. Se divide em três subgrupos, os caiouá, embiá e nhandeva.

Hoje, as etnias que predominam no Brasil são os Tupis, Guaranis e Jês. Eles não vivem mais isolados, sofrem com o desmatamento, passam necessidade, sofrem com as doenças dos brancos, do desrepeito e a falta uma Educação inclusiva. Será o fim dos índios?

Apesar de haver no calendário um dia especial para ele, o dia 19 de Abril, o índio não tem nada para comemorar.

Museu do Índio - Projetos

19 de Abril é o Dia do Índio.
Por que o dia 19 de abril é o Dia do Índio? 
Clique aqui para saber! 

 

Organização e sobrevivência dos índios brasileiros

Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares.
Como assim? O que eles fazem?
Eles sobrevivem:
  • caçando,
  • plantando,
  • pescando,
  • coletando e
  • produzindo os instrumentos necessários a estas atividades.

 

Qual é o significado da terra para o índio?

A terra é mãe, progenitora. É dela  que cada um tira seu próprio sustento. A terra pertence a todos os membros do grupo.

 

Como é a divisão de tarefas entre homens e mulheres?
As mulheres, em geral, são responsáveis:
  • pela casa,
  • pelas crianças e
  • pelas roças.

Já  o homem, tem como tarefas:

  • a defesa,
  • a caça (que pode ser individual ou coletiva) e
  • a colheita de alimentos na floresta.

Além disso, existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo.

Os mais velhos – homens e mulheres – adquirem grande respeito da parte de todos. A experiência conseguida pelos anos de vida transforma-os em símbolos de tradições da tribo.
O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

O chefe da tribo
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes tem como dever conduzir a aldeia nas mudanças na guerra, manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados. Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.

Alimento – pesca
Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. Há também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas – um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios no Brasil pratica agricultura.

Cultura indígena

 

O esforço das autoridades ainda não é sufiente para manter a diversidade cultural entre os índios, embora isso possa evitar o desaparecimento de muita coisa interessante. Um quarto de todas as drogas prescritas pela medicina ocidental vem das plantas das florestas, e três quartos foram colhidos a partir de informações de povos indígenas.
Na área da educação, a língua tucana, apesar do pequeno número de palavras, é comparada por lingüistas como a língua grega, por sua riqueza estrutural – possui, por exemplo, doze formas diferentes de conjugar o verbo no passado.

Ritos e mitos
No Brasil, muitas tribos praticam ritos que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. Estes ritos:
  • se ligam a gestação e ao nascimento,
  • à iniciação na vida adulta,
  • ao casamento,
  • à morte e
  • a outras situações.
Os índios acreditam em Deus?
Poucos povos acreditam na existência de um ser superior (supremo), a maioria acredita em heróis místicos, muitas vezes em dois gêmeos, responsáveis pela criação de animais, plantas e costumes. Também há uma infinidade de lendas indígenas explicando tudo que existe na natureza.
Pode-se conhecer parte da cultura de uma comunidade através da história vivida ou de suas lendas contadas de geração em geração. Algumas lendas indígenas mostram a transformação de um ser em algo que não existia na época em que vivem, assim como a interpretação de mundo, ou surgimento de elementos fundamentais que compõem a sua natureza.
Há muitas lendas indígemas famosas, por exemplo: Yara a rainha das águas, Mandioca – O pão do índio, Guaraná –  a essência dos frutos, Vitoria Régea, O Boto e muitas outras.
Leia mais a respeito delas aqui.

Arte
A arte se mistura a vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite.
Mas de onde os índios extraem suas tintas e adereços?
Os índios são muito criativos:
  • A tinta vermelha é extraída do urucum,
  • a azul, quase negro, do jenipapo,
  • a cor branca vem do calcário.

Os trabalhos feitos com:

  • penas,
  • plumas de pássaros,
  • dentes de animais,
  • folhas e palhas,
  • cabaças e
  • madeira.
Só alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria. Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos. Geralmente, os índios associam a música instrumental ao canto e à dança.
Assista ao vídeo e aprenda mais sobre a cultura e arte indígena.
“Indios Kariri Xoco – Brasil” (8:21)

Brincadeiras e socialização das crianças indígenas
Você sabia que vários dos jogos e brincadeiras que conhecemos tem oigem indígena?
É verdade. E não é só brincadeira de arco e flecha não. Entre elas estão brincar de:
  • jogar pião,
  • dança das cadeiras,
  • perna de pau,
  • jogar varetas,
  • jogo da velha e
  • fazer barulhos com dobraduras com palha, mato e folhas.

 

Assista ao vídeo e veja algumas outras brincadeiras indígenas que conhecemos hoje:

“Origem: Jogos indígenas do Brasil” (2:25)
Você gostaria de saber mais sobre jogos em grupos imitando animais? Então clique aqui.

 

Terras indígenas no Brasil

A situação das terras indígenas
A situação das terras indígenas no Brasil é crítica. Infelizmente, nem todas foram reconhecidas e demarcadas.
A área das terras indígenas já demarcadas é equivalente aos territórios da França e da Grã-Bretanha somados. Nelas vivem cerca de 500 mil índios, do total de 730 mil que habitam o Brasil. Os outros 230 mil índios vivem nas cidades. Na maior metrópole do país, São Paulo, existe a terra Guarani Aldeia Jaraguá, com apenas dois hectares de extensão.
A Amazônia abriga 60% da população indígena do Brasil. A maior parte das terras indígenas, ou 98,61% delas, concentra-se na Amazônia Legal: são 417 áreas, 108.081.442 hectares, representando 20,67% do território amazônico. Destas reservas, 76% das áreas têm reconhecimento legal em diversos graus (terras delimitadas, homologadas ou registradas).
O que sobra, ou 1,39% das terras indígenas, está espalhado pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Estado do Mato Grosso do Sul. Essa concentração na Amazônia se relaciona com a forma de ocupação do Brasil pelos portugueses, desde 1500, que se concentrou no litoral do país. Nesta faixa aconteceram os confrontos mais violentos com os índios. Isso causou diminuição da população indígena e a desocupação de suas terras, que acabaram como propriedade privada.
Reservas indígenas

Terras indígenas invadidas
Mesmo com a demarcação e homologação das terras indígenas, 85% das áreas são alvo de invasão (Funai em 2000). Muitas dessas invasões acabam em violência.

Mas por que as terras indígenas são invadidas?

Alguns dos motivos que levam a invasão de terras são:
  • a exploração ilegal de madeira,
  • o interesse por minérios, entre eles o ouro,
  • a ganância dos fazendeiros que querem plantar mais de arroz
  • a exploração mobiliária
O primeiro caso ocorreu com os índios Xikrin do Catete, vizinhos da mineradora Vale no Pará, e que tiveram suas terras invadidas em meados de 1980 por madeireiros, atrás de mogno, a madeira comercial mais cara.
O segundo, com os índios Cinta Larga, da reserva Roosevelt, em Rondônia, onde há uma grande quantidade de diamantes. Em abril de 2004, eles mataram 29 garimpeiros que exploravam a pedra preciosa Iegalmente em suas terras. Novos conflitos entre os Cinta Larga e os garimpeiros são iminentes e preocupam o governo de Rondônia. Há homens da Polícia Federal na reserva. Além disso, a mineração, principalmente de ouro, tem levado à invasão das terras Yanomamis, desde 1987.
Se você quiser saber mais detalhes sobre essas invasões, consulte os sites indicados para pesquisa no final deste artigo.

  O dono da terra

Quem é o dono da terra? Os primeiros habitantes dela ou quem chegou depois e a invadiu, matou, violentou, roubou, destriu tudo que cruzou seu caminho?
De quanta terra precisa um homem?
O que restará quando o homem tiver dominado toda a terra que sua ganância necessita?
 
 
A carta mais famosa que um índio escreveu resume o que a ganância do branco por mais terras e seu desrespeito à natureza levará.
“O homem branco (…) trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.”
 
“O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo.”
 
“Isto sabemos:
a terra não pertence ao homem;
o homem pertence à terra.”
Leia a carta na íntegra e entende a sabedoria indígena: 1854 – Carta resposta do chefe Seattle ao presidente dos Estados Unidos ou assista ao vídeo abaixo:

 

Dicas de leitura

  

„De Quanta Terra Precisa um Homem“, Tolstói – Grátis – Leia Online aqui! 

 

 

Fontes e sites interessantes para pesquisa

Carlos Olivieri. Cinco milhões de índios estavam no Brasil antes do descobrimento. UOL Educação. Página visitada em 2008-04-19.