BRASIL |“A FORMIGA E A CIGARRA“ RECEBE VERSÃO POLITIZADA NAS REDES SOCIAIS – Veja também as antigas em português e alemão! EXTRA: Exercícios PLE&DaF („DIE AMEISE UND DIE HEUSCHRECKE“ – Alte und neue „politische“ Version in Portugiesisch und Deutsch + EXTRA: Übungen PLE-DaF)

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Já ouviu falar de uma fábula chamada „A cigarra e a formiga“? Aquela história em que a formiga trabalha o ano inteiro para ter o que comer no inverno e a cigarra que não fazia nada.

Pois bem, ela reapareceu nas redes sociais por causa das eleições brasileiras, marcada pela intolerância e violência.

Uma de suas cenas sofreu uma adaptação, virando uma piadinha ou uma minuto de reflexão, depende do ponto de vista de quem a lê.

Abaixo, você poderá:

  • assistir um vídeo com uma versão da historinha para relembrá-la e
  • ler três outras versões da fábula em prosa e verso.

Divirta-se, refletindo!

formigaecigarra_fabula

Esta fábula teria sido escrita por Esopo, foi recontada pelo francês Jean de La Fontaine e tinha como nome original „O gafanhoto e a formiga“.

No Brasil, histórias como „A cigarra e a formiga“ foram recontadas, pelo escritor Monteiro Lobato, em sua obra Fábulas (no contexto do Sítio do Picapau Amarelo), sendo adaptada à realidade do país.

E quais são os temas desta historinha que quer nos ensinar algo?

Seriam, por exemplo:

  • o valor do esforço e do trabalho,
  • a honestidade e
  • a solidariedade.

Através dos animais e da fantasia, as crianças aprendem valores importantes para se viver em sociedade. Aliás, os adultos também deveriam rever ou reler está historinha com seus filhos, sobrinhos, amigos ou alunos e conversar sobre o assunto.

Vivemos, atualmente, rodeados de coisas que, à primeira vista, encantam. É preciso prestar bastante atenção para não tropeçar nas pedras e cair nas armadilhas de um mundo que está se tornando mais e mail cruel.

Quer ver a fábula „A formiga e a cigarra“ em alemão? Então veja nossas Dicas de Leitura no fim do nosso artigo!

Möchtest du dir die Fabel „Die Ameise und die Heuschrecke“ in Deutsch sehen oder lesen? Schaue dir dann unsere Lesetipps am Ende dieses Artikels!

 

 

VERSÃO POLITIZADA DA FÁBULA „A FORMIGA E A CIGARRA“

Esta é a versão que circula nas redes sociais, adaptada para o Brasil atual:

eleicao_acigarraeaformiga

Es war einmal eine Heuschrecke, die wütend auf die Ameise war und deswegen das Pestizip gewählt hat. Ende.

 Quem seria hoje a Formiga, a Cigarra e o Inseticida?

Wer wäre heute die Ameise, die Heuschrecke und das Pestizid?

 

 

VERSÃO ORIGINAL E ADAPTAÇÕES 

 

 

A Cigarra e a Formiga – Versão adaptada com música

 

 

A cigarra e a formiga – Versão de Ruth Rocha (2010)

A cigarra passou o verão cantando, enquanto a formiga juntava seus grãos.

Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga para pedir que lhe desse o que comer.

A formiga então perguntou a ela:
— E o que é que você fez durante todo o verão?
— Durante o verão eu cantei — disse a cigarra.
E a formiga respondeu:— Muito bem, pois agora dance!

 

 

A cigarra e a formiga – Versão de Monteiro Lobato

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.

Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.

A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.

Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro.

Bateu – tique, tique, tique…

Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.

– Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

– Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu…

A formiga olhou-a de alto a baixo.

– E o que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?

A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.

– Eu cantava, bem sabe…

– Ah! … exclamou a formiga recordando-se. Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?

– Isso mesmo, era eu…

– Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho.

Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.

 

 

A cigarra e a formiga – Versão de La Fontaine (1621-1695) 

Tradução de Bocage (1765-1805)

 

Tendo a cigarra, em cantigas,
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

– Amiga – diz a cigarra
– Prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
– No verão, em que lidavas?
– À pedinte, ela pergunta.

Responde a outra: – Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
– Oh! Bravo! – torna a formiga
– Cantavas? Pois dança agora!

O Livro das Virtudes
Uma antologia de William J. Bennett, 1995

 

 

DICA DE LEITURA (LESETIPPS)

Quer ver a fábula „A formiga e a cigarra“ em alemão? Então é só clicar nos sites abaixo!

Möchtest du dir die Fabel „Die Ameise und die Heuschrecke“ in Deutsch sehen oder lesen? Klicke dann auf diesen Links:

TEXTO:

VÍDEOS:

 

EXERCÍCIOS PARA FALANTES DE PORTUGUÊS E ALEMÃO

1.Moral da história (Moral/Fazit)

Escreva em português ou em alemão o que aprendemos com esta história. Lembre-se, há várias versões! Compare-as!

(Schreibe auf Portugiesisch oder auf Deutsch was wir mit dieser Geschichte gelernt haben. Vergesse nicht, es gibt verschiedene Versionen! Vergleiche sie mal!)

  • …………………………………………………………………………
  • …………………………………………………………………………
  • …………………………………………………………………………
  • …………………………………………………………………………

2.Exercícios extras de alemão (Extra Übung zum Deutsch lernen)

Perfeito para professores! Inclusive outras versões super engraçadas. Imagine que em uma a cigarra vai viajar para Paris e Rio no inverno! 🙂

PERFEKT FÜR LEHRER! WEITERE COOLE VERSIONEN VON DER GESCHICHTE E INKLUSIV. Stellt dir vor, in einer Version, die Grille verreist im Winter nach Paris und danach nach Rio de Janeiro! 🙂

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Inverno com Amor, Neve & Poesia (Winter mit Liebe, Schnee & Poesie)

Kommentare 5 Standard

Por: M. Fábia P. V. Willems

Inverno com Amor, Neve & Poesia (Winter mit Liebe, Schnee & Poesie)

Você gosta do inverno, da magia que a neve, a poesia e a fotografia tem? Então vai gostar deste Post. Poesias em Português e Alemão, assim como fotos do inverno na Alemanha fazem parte desta pequena seleção. Seguem também dicas de leitura e de dicionários online, caso você queira traduzir as poesias.

Boa leitura!


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Poesias em alemão

 

SCHNEE

Wenn der Schnee auf Wald und Garten fällt,
Ist es nur ein leichtes Ruhedach,
Unter dem ermüdet diese Welt
Eine Weile schläft. Bald wird sie wach.

Wenn der Tod mir Blut und Glieder stillt,
Sprecht mit Lächeln euer Trauerwort!
Still in Trümmer sinkt ein flüchtig Bild;
Was ich bin und war, lebt fort und fort.

SCHNEE

Wenn der Schnee auf Wald und Garten fällt,
Ist es nur ein leichtes Ruhedach,
Unter dem ermüdet diese Welt
Eine Weile schläft. Bald wird sie wach.

Wenn der Tod mir Blut und Glieder stillt,
Sprecht mit Lächeln euer Trauerwort!
Still in Trümmer sinkt ein flüchtig Bild;
Was ich bin und war, lebt fort und fort.

Gedicht von Hermann Hesse /
Rezitation: Ulrich Gebauer /
Piano: Ralf Schink – Bass: Willi Macht /
Video: psyformance /

 —–x—–

DER ERSTE SCHNEE 

Ei, du liebe, liebe Zeit,
ei, wie hat´s geschneit, geschneit!
Rings herum, wie ich mich dreh´,
nichts als Schnee und lauter Schnee.
Wald und Wiesen, Hof und Hecken,
alles steckt in weißen Decken.

Und im Garten jeder Baum,
jedes Bäumchen voller Flaum!
Auf dem Sims, dem Blumenbrett
liegt er wie ein Federbett.
Auf den Dächern um und um
nichts als Baumwoll´ rings herum.

Und der Schlot vom Nachbarhaus,
wie possierlich sieht er aus:
Hat ein weißes Müllerkäppchen,
hat ein weißes Müllerjöppchen!
Meint man nicht, wenn er so raucht,
dass er just sein Pfeifchen schmaucht?

Und im Hof der Pumpenstock
hat gar einen Zottelrock
und die ellenlange Nase
geht schier vor bis an die Straße.
Und gar draußen vor dem Haus!
Wär´ nur erst die Schule aus!

Aber dann, wenn´ s noch so stürmt,
wird ein Schneemann aufgetürmt,
dick und rund und rund und dick,
steht er da im Augenblick.
Auf dem Kopf als Hut ´nen Tiegel
und im Arm den langen Prügel
und die Füße tief im Schnee
und wir rings herum, juhe!

Ei, ihr lieben, lieben Leut´,
was ist heut´ das eine Freud´!

Friedrich Wilhelm Güll 
(deutscher Dichter,1812-79 )

—–x—–

 

 

Poesias em Português

 

BALADA DA NEVE

Vídeo: Poema recitado em Português Europeu

 

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração

Augusto Gil, Luar de Janeiro

(Poeta português,1873-1929)

—–x—–

 

 


MAGIA DA PRIMEIRA NEVE 

A neve chega devagar,

veste de noiva árvores desnudas,

desperta almas quase mudas.

Assim vem ela:

devagarinho

açucarando de magia

o inverno em tua vida

com amor e poesia.

(Fábia Willems)

—–x—–

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Georg Trakl – Dichter der Herbstmelancholie

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Você gosta de ler em alemão, acha o outono uma estação linda e adora poesia? Então este artigo é especial para você! Boa leitura 🙂

Sätze & Schätze

Bild

Bilder: Rose Böttcher – Beeren, handcoloriert

Tragisch, traurig und viel zu kurz: Das war das Leben Georg Trakls (1887-1914). Sprachmächtig, bildhaft, düster und kraftvoll ist sein schmales Werk. Zu Lebzeiten veröffentlichte Trakl, der heute als bedeutendster expressionistischer Lyriker Österreichs gilt, nur einen Gedichtband, „Der jüngste Tag“, erschienen 1913. Posthum kam 1915 die Sammlung „Sebastian im Traum“ heraus.

Das leidvolle Leben des Lyrikers kurz umrissen: Zwar materiell wohlbehütet, aber im Schatten einer psychisch kranken, drogenabhängigen Mutter führte der Lebensweg den Salzburger ebenfalls in die Sucht und Geisteszerrüttung. Während des Pharmazie-Studiums kam er leicht selbst an Drogen heran, diese, der Alkohol und eine inzestuöse Beziehung zu seiner Schwester Margarethe taten ihr übriges, um den labilen Trakl mehr und mehr zu zerrütten.

Der Herbst als Zeit des Abschiednehmens und Übergang in eine dunklere Phase des Jahres, aber auch des Lebens, ist auch eine Trakl-Zeit. Kein leichtfüßiger, leichtlebiger Frühlings-Dichter. Selbst in seinem Gedicht „Heiterer…

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Cora Coralina: Poesia e Magia na Literatura Brasileira

Kommentare 3 Standard

Por: M. Fábia P. V. Willems

Cora Coralina1

 

Quem foi Cora Coralina?

Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas), 20/08/1889 — 10/04/1985) é a grande poetisa do estado de Goiás e um dos maiores nomes da Literatura Brasileira. Sempre foi uma mulher de coragem, irreverência e eterno otimismo.

Começou a escrever poesias aos 14 anos, criando com amigas o jornal de poemas femininos “A Rosa”.

Em 1910, seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, é publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, já com o pseudônimo de Cora Coralina.

Enfrentou todos os obstáculos em nome do amor. Em 1911, foge de casa para casar com um homem divorciado (o advogado Cantídio Tolentino Brêtas), já que sua família não aceitava o amor dos dois. Vai viver em Jaboticabal (SP), onde nascem seus filhos.

Em 1922 é proibida pelo marido de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP).

Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Em 1976, é lançado “Meu Livro de Cordel”, pela editora Cultura Goiana.

Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.
Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

“Minha querida amiga Cora Coralina: Seu “Vintém de Cobre” é, para mim,

moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado.

É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado.

Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e

que lirismo identificado com as fontes da vida!

Aninha hoje não nos pertence.

É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( …).”

 

Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”, é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia.

Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983.

Aos 70 anos, passando dificuldades financeira, dedicou-se à venda de doces, “os melhores do Brasil”, segundo ela.

Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora “Honoris Causa” pela Universidade Federal de Goiás.
No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo foi velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte.

Em m 1988 é lançado “Estórias da Casa Velha da Ponte” é lançado pela Global Editora.
Postumamente, foram lançados também os livros infantis “Os Meninos Verdes” (em 1986) e “A Moeda de Ouro que um Pato Comeu” (em 1997) e “O Tesouro da Casa Velha da Ponte” (em 1989).

A linda poesia de Cora é marcada pelo otimismo, pela solidariedade ao próximo, pela amizade, pelo amor a vida e a terra, tendo feito grandes homenagens ao Estado onde nasceu. Seguiu fazendo seus doces e seus versos até os últimos dias de sua vida. Faleceu aos 95 anos, deixando-nos melodia de seu cântico na música de seus versos”.

 

Conhecendo melhor Cora Coralina (Vida & Obra)


Reportagens sobre a autora

A história de Cora Coralina (Entrevista com a autora)

Cora Coralina e Gyn Teen.avi (6:53)

Reportagem Especial (mais longa) – Parte 1

Cora Coralina (1/2) – De Lá Pra Cá – 21/09/2009 – TV Brasil (17:32)

Vídeo 4: Reportagem Especial (mais longa) – Parte 2 

Cora Coralina (2/2) – De Lá Pra Cá – 21/09/2009 – TV Brasil (17:43)

 

Vídeo 5: Visita Virtual ao Museu Cora Coralina

Alguns dos mais belos Poemas de Cora

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“Não sei”

Não sei… se a vida é curta…

Não sei…
Não sei…

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.

 

„Via poética“

Via Poética – Cora Coralina – Recitado por Ronny Von

“O Cântigo da Terra”

„O Cântico da Terra“

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
“A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.”
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.

Mascarados

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

Meu Destino

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

Poema de amor

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…

¹Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas
* Cidade de Goiás, GO – 20 de Agosto de 1889 d.C
+ Goiânia, GO. – 10 de Abril de 1985 d.C

Frases de Cora Coralina

“Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade.”

Diga o que você pensa com esperança.
Pense no que você faz com fé.
Faça o que você deve fazer com amor!

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”

“Não podemos acrescentar dias à nossa vida, mas podemos acrescentar vida aos nossos dias ”

“Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo “

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

“O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.”

“Lindo demais! Coração é terra que ninguém vê.”

“Acredito nos jovens à procura de caminhos novos abrindo espaços largos na vida. Creio na superação das incertezas deste fim de século.”

“Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.”

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Os segredos do „Pequi“: Cerrado do Brasil (Die Geheimnisse der Pequi-Frucht: Brasilianische Savanne)

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Desvende a terra de Cora Coralina!

 

Fontes, Dicas de Leitura & Pesquisa

Coralina, Cora (2001): “Vintém de cobre – Meias confissões de Aninha”, São Paulo: Global Editora, pág. 174.

www.casadecoracoralina.com.br/

http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/

http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm

http://www.releituras.com/coracoralina_menu.asp

http://www.revista.agulha.nom.br/cora.html

http://www.cmb-bwc.com.br/biografias/CoraCarolina.htm

http://bibliotecaets.blogspot.de/2009_04_01_archive.html

www.google.com.br (Imagens)

www.youtube.com.br (Vídeos)