7 de setembro tenebroso e o discurso de Luis Fux do STF na íntegra

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Era para ser um 7 de Setembro para comeramoramos a Indendência do Brasil, o dia em que, finalmente, nós brasileiros ficamos livres das correntes de Portugal. Há 199 anos atrás, o Brasil comemorou sua liberdade.

Desde criança víamos este dia como um dia de festa, com bandinhas tocando, desfiles nas ruas, bandeirinhas balançando exuberantes em verde e amarelo. Mas, de repente, tudo mudou. A pandemia chegou, o povo morrendo, empregos sumindo, fome crescendo, água acabando, gás aumentando, o presidente doidivando e todos, chocados, só olhando.

As ameaças do Presidente da República à Suprema Corte, especialmente a dois de seus ministros, chegou ao seu auge. Inclusive, o „chefe“ da nossa nação disse que vai ignorar todas as decisões judiciais de Alexandre de Moraes. Afinal, ele está acima de todos e „não será preso“.

Hoje, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, se pronunciou depois do discurso golpista de Bolsonaro.

No plenário, Fux afirmou que „ninguém fechará“ a Corte e que o desprezo a decisões judiciais por parte de chefe de qualquer poder configura crime de responsabilidade.

Aguardemos o gran finale dos tempos tenebrosos. Paz, patriotas.

Veja o discurso completo de Fux e leia a íntegra do pronunciamento abaixo:

#Bolsonaro #Fux #STF #7desetembro
Luiz Fux faz pronunciamento após ameaças de Bolsonaro ao STF em atos de 7 de Setembro – Créditos: UOL


“PRONUNCIAMENTO DO EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO LUIZ FUX, PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA:

O Brasil comemorou, na data de ontem, 199 anos de sua independência. Em todas as capitais e em diversas cidades do país, cidadãos compareceram às ruas. O país acompanhou atento o desenrolar das manifestações e, para tranquilidade de todos nós, os movimentos não registraram incidentes graves.

Com efeito, os participantes exerceram as suas liberdades de reunião e de expressão – direitos fundamentais ostensivamente protegidos por este Supremo Tribunal Federal.

Nesse ponto, é forçoso enaltecer a atuação das forças de segurança do país, em especial as polícias militares e a Polícia Federal, cujos membros não mediram esforços para a preservação da ordem e da incolumidade do patrimônio público, com integral respeito à dignidade dos manifestantes.

Destaque-se, por seu turno, o empenho das Forças Armadas, dos governadores de Estado e dos demais agentes de segurança e de inteligência pública, que monitoraram em tempo real todas as manifestações, permitindo assim o seu desenrolar com ordem e paz.

De norte a sul do país, percebemos que os policiais e demais agentes atuaram conscientes de que a democracia é importante não apenas para si, mas também para seus filhos, que crescerão ao pálio da normalidade institucional que seus pais contribuíram para manter.

Este Supremo Tribunal Federal também esteve atento à forma e ao conteúdo dos atos realizados no dia de ontem. Cartazes e palavras de ordem veicularam duras críticas à Corte e aos seus membros, muitas delas também vocalizadas pelo senhor presidente da República, em seus discursos em Brasília e em São Paulo.

Na qualidade de chefe do Poder Judiciário e presidente do Supremo Tribunal Federal, impõe-se uma palavra de patriotismo e de respeito às instituições do país.

Nós, magistrados, ministras e ministros do Supremo Tribunal Federal, sabemos que nenhuma nação constrói a sua identidade sem dissenso.

A convivência entre visões diferentes sobre o mesmo mundo é pressuposto da democracia, que não sobrevive sem debates sobre o desempenho dos seus governos e de suas instituições.

Nesse contexto, em toda a sua trajetória nesses 130 anos de vida republicana, o Supremo Tribunal Federal jamais se negou – e jamais se negará – ao aprimoramento institucional em prol do nosso amado país.

No entanto, a crítica institucional não se confunde – e nem se adequa – com narrativas de descredibilização do Supremo Tribunal Federal e de seus membros, tal como vem sendo gravemente difundidas pelo Chefe da Nação.

Ofender a honra dos ministros, incitar a população a propagar discursos de ódio contra a instituição do Supremo Tribunal Federal e incentivar o descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas e ilícitas, intoleráveis, em respeito ao juramento constitucional que fizemos ao assumirmos uma cadeira nesta Corte.

Infelizmente, tem sido cada vez mais comum que alguns movimentos invoquem a democracia como pretexto para a promoção de ideais antidemocráticos.

Estejamos atentos a esses falsos profetas do patriotismo, que ignoram que democracias verdadeiras não admitem que se coloque o povo contra o povo, ou o povo contra as suas instituições.

Todos sabemos que quem promove o discurso do „nós contra eles“ não propaga democracia, mas a política do caos.

Em verdade, a democracia é o discurso do „um por todos e todos por um, respeitadas as nossas diferenças e complexidades“.

Povo brasileiro, não caia na tentação das narrativas fáceis e messiânicas, que criam falsos inimigos da nação.

Mais do que nunca, o nosso tempo requer respeito aos poderes constituídos. O verdadeiro patriota não fecha os olhos para os problemas reais e urgentes do país. Pelo contrário, procura enfrentá-los, tal como um incansável artesão, tecendo consensos mínimos entre os grupos que naturalmente pensam diferentes. Só assim é possível pacificar e revigorar uma nação inteira.

Imbuído desse espírito democrático e de vigor institucional, este Supremo Tribunal Federal jamais aceitará ameaças à sua independência nem intimidações ao exercício regular de suas funções.

Os juízes da Suprema Corte – e todos os mais de 20 mil magistrados do país – têm compromisso com a sua independência, assegurada nesse documento sagrado que é a nossa Constituição, que consagra as aspirações do povo brasileiro e faz jus às lutas por direitos empreendidas pelas gerações que nos antecederam.

O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional.

Num ambiente político maduro, questionamentos às decisões judiciais devem ser realizados não através da desobediência, não através da desordem, não através do caos provocado, mas decerto pelos recursos que as vias processuais oferecem.

Ninguém, ninguém fechará esta Corte.

Nós a manteremos de pé, com suor, perseverança e coragem. No exercício de seu papel, o Supremo Tribunal Federal não se cansará de pregar fidelidade à Constituição e, ao assim proceder, esta Corte reafirmará, ao longo de sua perene existência, o seu necessário compromisso com o regime democrático, com os direitos humanos e com o respeito aos poderes e às instituições deste país.

Em nome das ministras e dos ministros desta Casa, conclamo os líderes do nosso país a que se dediquem aos problemas reais que assolam o nosso povo: a pandemia, que ainda não acabou e já levou para o túmulo mais de 580 mil vidas brasileiras, e levou a dor a estes familiares que perderam entes queridos; devemos nos preocupar com o desemprego, que conduz o cidadão ao limite da sobrevivência biológica; nos preocupar com a inflação, que corrói a renda dos mais pobres; e a crise hídrica, que se avizinha e que ameaça a nossa retomada econômica.

Esperança por dias melhores é o nosso desejo e o desejo de todos, mas continuamos firmes na exigência de narrativas e comportamentos democráticos, à altura do que o povo brasileiro almeja e merece.

Não temos mais tempo a perder.

Greta „Pirralha“

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JÁ ESTÁ SABENDO?

Greta é agora também uma“pirralha“!

Após criticar o mundo por este permanecer calado diante das atrocidades cometidas contra o meio ambiente, Greta Thunberg ataca diretamente o presidente brasileiro por sua política ambiental, culpando-o pelo assassinato de índios que tentavam proteger a floresta contra o desmatamento ilegal. Na segunda (9), na COP25, ela voltou a mencionar os povos indígenas.

A menina sueca de 16 anos conseguiu irritar o presidente do Brasil, que a chamou de „Pirralha“.

Em resposta bem humorada, ela mudou sua Bio no Twitter por „Pirralha“:

A repercussão nas mídias sociais é diversa, uns, consideram a palavra ofensiva; outros, não. O argumento desses últimos é: „Pirralha“ significa apenas „uma pessoa de pequena estatura“, como „uma criança“ e mandam os demais consultarem um dicionário. Já a imprensa internacional publicou a palavra em português, traduzindo-a em seguida. Resumindo: Considerou sim uma ofensa a uma criança ou adolescente, que apesar de tudo, também sofre de um transtorno chamado Síndrome de Asperg.

Nós consultamos dicionários, inclusive os de sinônimos em 4 línguas, assim como a imprensa internacional e veja o que encontramos para definir uma „pirralha“:

Agora, lhe pergunto:

Se chamassem seus filhos, sobrinhos, alunos ou pessoas queridas assim, seria uma ofensa?

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